Por ser do bem, Ademário é vítima de um modelo de Estado que já não devia existir

Gilmar Carvalho 9 de março de 2019 | Atualizado em: 10 de março de 2019, 09:05

Para que não haja dúvida, quem escreve este artigo é o jornalista, radialista e deputado estadual Gilmar Carvalho.

Quem escreve aqui é cristão, que procura conhecer diariamente o tamanho de seus limites e que sabe que, conhecida a verdade, ela deve ser divulgada amplamente, como instrumento de libertação.

Em janeiro, NE Notícias questionou a capacidade administrativa, como secretário da Fazenda, de Ademário Alves, jovem de 34 anos, cedido pelo Banco do Nordeste, onde gerenciou a maior agência da instituição em Pernambuco.

NE Notícias não tinha conhecimento das mudanças no estado de saúde de Ademário, decorrentes do fato de não encontrar saídas para a grave crise financeira do Estado, que se agrava cada vez mais.

NE Notícias não sabia que ele já sofria crises de depressão desde o último mês de 2018.

NE Notícias não sabia que, se não chegasse a um entendimento com o governador Belivaldo Chagas (PSD), Ademário deixaria o cargo.

Marcelle Cristinne / ASN

Ontem, Belivaldo anunciou no Twitter o seu deslocamento para outro cargo, nomeou Marcos Vinicius para, interinamente, comandar a Sefaz, mas não esconde: aguarda que alguém indique um nome que seja capaz de ajudá-lo a tirar o Estado da gravíssima crise financeira em que se encontra, “mesmo tendo que tirar R$ 100 milhões por mês de sua receita para a Previdência”.

Ademário deve cuidar de sua saúde. Como já disse, é homem de bem.

Publicamente, repito o que já disse na Assembleia e em meios de comunicação: a culpa é do grupo que assumiu o comando político-administrativo em 2007, lembrando que o saudoso Marcelo Déda não deixou o Estado assim, aos frangalhos, muito pelo contrário.

Continuo defendendo a redução do tamanho da máquina, coisa que não termina na discussão surrada sobre diminuição dos cargos em comissão. Isso é o mínimo, do mínimo, do mínimo.

Continuo defendendo, o que já fiz há alguns anos, que seja convidado técnico da Secretaria do Tesouro Nacional para o comando da Sefaz, com 1000% de carta branca, que diga: o Estado só tem tanto, só pode gastar tanto, até que atualize o pagamento de salários a servidores, ativos e inativos, e fornecedores, realizadores de obras e prestadores de serviços, que penam no sofrimento imposto pelo Estado há muito tempo.

Preservando o emprego de todos os servidores efetivos, que o Estado acabe com a prestação de serviços em todos os órgãos que não estejam na relação daqueles que cumprem essencialmente função de Estado, repito, gastando diariamente somente o que possa gastar.

Defendo mudança grande na administração pública, não apenas no Estado, mas também nos municípios.

Que o dinheiro público só seja aplicado onde a União, os Estados e os municípios sejam obrigados a prestar serviços, bons serviços.

Sergipe tem um governador honesto, direito, gente do bem.

Ademário é a mais nova vítima, por ser do bem, de um modelo de Estado que já devia ter sido mudado há muito tempo, mas nunca é tarde.

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